terça-feira, 12 de julho de 2011

Capítulo um - Surpresa!

Odeio quando minha mãe me deixa sozinha em casa. Eu simplesmente odeio. Tudo bem, você tem a casa só para você, podendo fazer a festa, chamar seus amigos, enfim, bagunçar. Mas ter que fazer tudo é demais: atender telefone, a porta, o vizinho... Céus! Ok, vamos dizer que sou uma sedentária ambulante. Deve ser legal morar só, mas quando se tem disposição, o que não é o meu caso.

Lá pelas três da tarde, minha mãe e meu irmão saíram para fazer as compras da semana, claro, sem eu saber. Quando levantei da cama vi um bilhete na geladeira. Uau, minha mãe não se esqueceu de mim, pelo menos é o que parecia. “Anne, tem louça para lavar, lixo para jogar fora e ração para dar a Diva. Logo estarei de volta, beijos mamacita”. Que tarde tão perfeita.

Fiz um rabo de cavalo e comecei lavando a louça. Meu irmão parece duas pessoas comendo por causa da quantidade de pratos sujos... Enfim, isso não vem ao caso. A pior parte de mexer em água, esponja e sabão é que acaba com as minhas unhas, total. Com o castigo do rei do terror, eu tive que arruinar depois de dois dias feitos no salão. Sem contar do cheiro de detergente que fica na mão.

Feito isso, fui jogar o lixo fora: dois sacos pretos enormes e pesados. Quando abro a porta, a minha cachorra Diva sai logo correndo para o corredor fazendo a festa lá. A lixeira fica logo no primeiro andar, no meu andar, mas a sapeca corre para o segundo. Ela raramente faz isso, estranhei, mas deve ter algo que a atraiu.

Sabe como é, cachorro tem ótimo faro.

Ao lado da porta de casa ficam logo as escadas, subi voando para pega-la até que a encontro na fresta de uma porta. A porta do vizinho novo.

Vizinho novo. Esse nome não soa bem. Pode ser uma velha horripilante que mora com um gato preto, ou um senhor de meia idade, sem dentes e pedófilo, ou uma família feliz típica daquelas com dois filhos e um cachorro. Tipo o meu. Tá, viajei legal, mas tinha que tirá-la de lá. Como? Pedir desculpas pra vizinha pelo fato da minha cadelinha querer entrar por causa do cheiro de comida? Não, definitivamente não. Até que o cheiro estava bom, a pessoa que

devia estar cozinhando é ótima. Por um momento fiquei com vontade de entrar. Não, assim estaria pior que a Diva, e isso é muito ruim. O único jeito era pega-la e sair correndo, acabar logo com essa história.

Uni toda a minha energia e coragem para ir até lá. Cheguei à porta bem devagar para não fazer barulho e o vizinho novo, seja lá quem for, não me ver.

Acredita em destino? Não? Pois bem, com o que contarei agora, você passará a acreditar. Eu mesmo achava uma mera bobagem, apesar de acreditar em contos de fadas. O que direi foi real, bem real.

Assim que abaixei para pega-la, escutei um barulho. Provavelmente de uma pessoa falando, mas a sua voz era do sexo masculino, uma voz tão calma e sexy. É, s-e-x-y. Com todas as letras. Só que ao invés de fugir, eu fiquei lá. Tão hipnotizada por sua voz e querendo saber do que falava. Agarrei a Diva que estava farejando o tapete até que a porta se abriu...

Levantei o meu olhar: passando pelo seu All Star preto surrado, calças escuras com bolsos, moletom preto com capuz, cabelos pretos, alto e magro. Com guitarra nas costas e um celular na mão. Olhando em seus olhos concluí rápido que ele era o que tinha a voz sexy demais. Assim que abriu a porta logo olhou em baixo erguendo as sobrancelhas escuras, com certeza pensando “O que esta maluca de pijama está fazendo agachada em minha porta?”. Fechou a porta em seguida, passou por mim e voltou a falar no celular. Virei para vê-lo de novo, mas desceu as escadas rapidamente.

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