quarta-feira, 13 de julho de 2011

Capítulo seis - Nostalgia

- Um ingresso para Muita... – Tento lembrar o nome que Meg disse – Muita... Caramba, qual é nome dessa porcaria de filme?! – Já estava nervosa e a mulher atrás da bilheteria estava com o processador lento, nem sabia o nome do filme, também!

-Ei, muita calma nessa hora. Tente lembrar o nome do filme. – A voz dela saiu tão automática, parecendo aquelas máquinas de Drive-thru do Mc Donald’s.

-Isso! – Dei um pulo e o pessoal atrás estava olhando pra mim. Todos ao meu redor. Mas nem liguei, apesar da moça lerda, ela me ajudou a lembrar. Eu que fui idiota de ter esquecido. Com o ingresso na mão, corri para sala.

“Agora que são elas.” – Pensei. Sala escura, não dá pra ver ninguém e nada, onde estariam as minhas amigas?

Depois de trinta segundos pisando nos pés das pessoas, pedindo licença e forçando a vista pra vê-las, descobri que estavam rindo da minha situação nada cômica. Sem contar da parte do “Sai da frente, garota!” Que povo mal educado...

Recompondo-me, respirando fundo e sentando na cadeira dobrável com o braço dobrável, Lauren comenta baixinho:

-Chegou bem, Anne? – Ela ri. Sua engraçadinha. Olhei pra minha amiga com cara feia.

-Muito bem, obrigada. – Voltei a olhar pro telão. Estava na parte onde Bruno Mazzeo estava contracenando com duas atrizes. Era comédia. Nem via graça nesses filmes nacionais, os internacionais deixam o nosso no chão.

Mas é verdade, talvez noventa por cento da população achem isso. Se bem que eu já assisti um muito bom com a Scarlett. Aquele sim foi um ótimo filme.

Tá, vou confessar que eu gostei, ri também. Em partes do filme eu mudava o meu foco, pensava o quanto aquele dia foi cheio, muito cheio. Embora eu quisesse me distrair com minhas amigas, meu corpo não deixava. Parecia que tinha feito tanto, só que nada fiz. Queria mesmo era uma boa noite de sono.

Depois de duas horinhas sentadas na cadeira confortável com o braço dobrável, o que mais queria era levantar, esticar a perna, circular meu sangue. Infelizmente eu sou assim, não agüento ficar muito tempo sentada como em pé. Fora que minha boca já estava doendo de tanto dar gargalhada.

-Então, querem ir a uma lanchonete aqui perto? – Optou Meg depois que saímos da sala, já na calçada da rua.

Concordamos em ir.

Acabamos indo a Lanchonete Frogs. Nunca ouvi falar. Meg disse que foi inaugurada há um mês, mas ainda não tinha comido lá, nem Lauren.

Até que era bem legal na parte de fora. Sua parede era azul claro, cor do mar e na entrada verde escuro. Tinha dois andares, suas janelas pareciam como de casas de praia coberta com palha ou algo parecido. Um pouco distante havia dois coqueiros. Foi o que mais achei maneiro naquele lugar. Uma lanchonete meio paradisíaca no meio de uma cidade. Sinistro.

No interior, como já devem adivinhar, era verde. Um verde bem clarinho misturado com azul, tornando verde-água. Sentia-me dentro do mar. Limpo, organizado e com um cheiro delicioso.

Tinha alguns traços como McDonald’s, mas felizmente com o cheiro diferente. Escolhemos uma mesa perto da janela. Então, pegamos o Menu.

-Vocês vão querer o quê? – Perguntou a garçonete meio ofegante. Deveria estar cansada, com sono e ter feito aquela pergunta mais de vinte vezes, pois lugar estava bem movimentado. Baixa, ruiva, com mil piercings na orelha. Foi pude perceber nela.

Vamos ver... Hambúrgueres, batatas fritas, pastéis... Nada me interessava. Definitivamente estava sem fome.

-Quero um sanduíche de peito de peru light. – Falou Meg olhando para o cardápio. – E um suco de laranja. – Sorriu ao terminar.

-Anotado! E você? – Sua direção estava pra Lau.

-Ah, vou querer uma porção de fritas com molho cheddar e uma Coca-Cola.

-Ok, e... – Não a deixei terminar. Poupei sua voz. Como sou fofa!

-Só vou querer um cafezinho. – Sorri. – Ah, com chantilly!

A garçonete se retirou com a Lau comentando:

-Você e sua cafeína. – Revirou os olhinhos. Fitei-a.

-Minha querida, pelo o que eu saiba, Coca-Cola contém cafeína também. – Há! Strike! Anne um, Lauren zero.

Mas claro, se enfezou. Só a Kim mesmo pra me acompanhar no café!

-Nos conta então, por que demorou?

-Advinham?! The Sims com o Peter. Perdi totalmente as horas. – Suspirei - Controlar vidas dá trabalho.

-Alguma coisa tinha, você não é de se atrasar. Diferente da Meg... – Seu olhar fulminante foi para a direção oposta. Nós duas, claro, rimos.

-Comigo tem que se acostumar. Até o Phillip já sabe o esquema. – Piscou os olhos verdes. Nesse momento nossos pedidos vieram. Como foi rápido.

Tomei um gole do café preto acompanhado com creme de leite batido por cima. Estava numa temperatura agradável e delicioso, apesar do clima quente. Tomei mais um gole mesmo sabendo que sentiria uma onda de calor por dentro.

E outra, eu não poderia contar a elas sobre o acontecimento breve de hoje. Pelo menos não agora. Se bem que estava louca para confabular, mas tive que me segurar, até porque é a mesma historia: você fala, já pensa no que irá acontecer, cria expectativas e por aí vai. Só esquecendo de um detalhe: a realidade.

Não, não vou criar expectativas.

Desejei tomar outra xícara, mas recusei. Já era noite e estava com sono o bastante para cair na cama. Pode acreditar, o efeito do café sobre mim é totalmente ao contrário de despertar.

-Vamos. – Olhei para o celular. - Já são 21h15min!

Pagamos e saímos da lanchonete cool recém inaugurada.

-Lembra que meu celular caiu no banheiro do shopping? Sinto tanta falta dele.

-Tirou do baú essa hein, Lau! – Apressou Meg.

-Na época que Lau fez progressiva...

-E que a Sra. Van Praag me mandou tomar conta para não coloca-lo atrás da orelha. – Riu Meg.

-Caramba! – Lauren ficou perplexa. Acho que não havia se lembrado dessa...

-Até hoje eu tenho o bilhete – Acrescentou.

Cruzamos os braços uma nas outras até separarmos dos nossos destinos.

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