Num relance, já estava na minha janela vendo-o passar com dois amigos na rua. O celular já havia desligado.
Diva mal sabia que tinha me feito pagar um mico daqueles! Mas em compensação vi o vizinho novo e gatinho pela primeira vez. Como eu não vi a mudança? Bem, deixa para lá. De tão feliz que estava (apesar de ter pago
um mico) coloquei musica para ouvir. Pulei, cantei, dancei. Zero preocupada com os velhinhos do prédio.
Fiz isso por 15 minutos até que a cachorrinha Yorkshire Diva começou a chorar. Ah, é! Tinha me esquecido de dar ração a ela.
Mas ele era lindo demais. A sua imagem não saía da minha cabeça e aquela expressão de quando me viu. Foi uma vergonha, admito, mas gostei de tê-lo visto. Provavelmente, não, noventa e nove por cento de chance dele não chegar e falar comigo. Deve ter me achado maluca que tenta escutar conversas dos outros, que anda sem menor problema com pijama pelo prédio, ou uma retardada mental. Pensando assim, fico com as três opções.
O que já causou má impressão sobre mim.
Após a Diva chorar por fome e posto ração, aguardei a chegada da minha mãe e Peter. Eu seria encarregada a guardar as compras no lugar e os mil pacotes de biscoito do meu irmão.
-Cheguei Anne! – Ela grita ao abrir a porta. Não precisava ter gritado, estava bem no sofá, deitada, quase em frente à porta. Mas minha felicidade era tão grande (por causa daquele mico) que eu deixei pra lá, levantei do sofá peguei algumas sacolas e beijei o rosto do meu irmão.
-Que nojo irmã! – Ele reclama fazendo cara feia e sai correndo para o quarto.
-Você sabe que ele não gosta quando o beija! Por que fez isso, Anne? – Ela arqueou as sobrancelhas.
-Ah, nada... Só estou feliz. – Digo tirando os congelados da sacola e colocando na geladeira, esperando que ela não queira estender aquela conversa, saber o porquê de eu estar assim. E contando aquela história com meu irmão por perto não seria nada bom. Ela se calou um pouco e foi para o quarto trocar de roupa.
Peter já estava ligando seu vídeo-game na televisão. Um viciado total. E já estava acabando com a montanha de compras.
-O que vai querer almoçar, minha filha?
-Eu não sei, mãe... Você quem sabe. – Sorri.
-Como está calor, vou fazer macarrão com frango. Nada de feijão, né?
Peter ouviu a metros de distância. – Faz com salsicha! – Ele grita. Ela olhou pra mim rodando os olhos, até que enfim fala:
-Ajuda-me? – O modo em que falou parecia o gatinho do Shrerk. Claro, o segundo filme. Falando nisso, o terceiro é o melhor da trilogia.
Tudo bem, estava sem saída, até porque eu não poderia deixá-la na mão. E quando era pequena, disse que queria ser uma cozinheira de primeira como ela. Então, o que me restava era aprender. Ah, fazer macarrão e salsicha era fácil. Sem problemas até então.
Nenhum comentário:
Postar um comentário