quarta-feira, 13 de julho de 2011

Capítulo quatro - BFF's

A comida ,como sempre, estava maravilhosa! Comi tanto que capotei no sofá. Só por alguns segundos. Sabe por quê? A linda Allyson me chama para tirar a mesa. Pois é. Poderia chamar o meu irmão, mas não. Tem que ser a Anne! Ele pode correr pro videogame, mas eu não posso correr para o sofá.

Fui com “boa” vontade. Entre aspas, com boa vontade zero. Os pratos já estavam retirados, só faltava a toalha e por o vasinho de flores. SÓ isso! Ela só me chamou para isso! Inacreditável.

Quando coloquei o vaso sobre a mesa, minha mãe diz:

-Anne... – Mas na mesma hora o telefone toca. E claro, atendi correndo. Pois sabia que era a Meg.

-Amiga! – Ela diz.

-Oi, fala.

-Está a fim de sair esta noite? Poxa, hoje é sexta! – Afirmou animadona. Aquela guria ama a rua.

-Está bem... Mas onde? – Uma interrogação imensa estava na minha cabeça.

-Pensei de irmos ao Cinema. Sei lá, ver algum filme juntas. Já chamei a Lauren e ela topou.

Já que não iria fazer nada, aceitei.

-E sabe quais filmes estão passando? – Internet pra quê, né?!

-Olha, não sei. Na hora, a gente ver isso.

Beleza! Sairei de casa esta noite. Preciso esquecer aquele menino –lindo- da minha cabeça. Só podia ser excesso de carência.

Desliguei o telefone e fui direto para o quarto. Abri a janela, sentei sobre ela e fiquei admirando... a rua. Pois é. Lembrei dos momentos em que saí com as meninas, quando tínhamos 15 anos. Íamos a aniversários, baladas que só serviam refrigerantes, shoppings e dormíamos uma na casa da outra. Conheci Meg desde o Ensino Fundamental I, e nossa amizade de lá pra cá só vinha crescendo. Ela viu o meu primeiro beijo, conheceu o meu primeiro amor (amor de criancinha, sabe?), meu segundo amor... E outras coisas. Sempre me ajudou, era a mais realista da dupla. Dois anos depois entrou a Lauren. Quietinha, tímida, super na dela, tão fofa, tão calada. Claro que chegamos nela, pois parecia bastante conosco. Com o tempo, foi se soltando, formando O Trio. Com letra maiúscula fica mais chique, tá?

Ah, foram ótimos momentos. E ainda me divirto com elas. Mas, a Meg tratou de ficar um ano a menos no colégio. Então, entrou a Kim. A invejo de ser oriental. Na verdade, descendente. Seu pai é japonês, nascido lá, e sua mãe é brasileira. Engraçadíssima, teima em tentar falar em inglês, aí já sabe, embola com as palavras. Se bobear, é pior que uma nordestina tentar falar a língua inglesa.

Acredite... Kim é assim. Sem contar, que é muito engraçada. Disse que um dia me levaria para o Japão, e isso foi quando? Cinco anos atrás.

Depois de ter pensado nisso, eu desviei o olhar para a rua, pois estava olhando o céu. - Já falei que amo o céu? – Meu coração disparou, meus olhos arregalaram e só faltava, bem pouquinho, cair da janela para dentro do quarto. Por sorte, estava me segurando, e também uma coisa não deixava.

Ok, ok, ok. Sem mais delongas, era ele, o vizinho novo. Estava vindo pela rua, e como minha casa fica bem no finalzinho, dá muito bem para vê-lo chegando. Reparei que anda com estilo, com as mãos no bolso, postura reta. Gostei, mesmo.

Sem contar do cabelo, né. Deve passar horas e horas só arrumando. Não sai do lugar, nem quando anda! Enfim, acompanhei com os olhos até entrar ao prédio. Respirei fundo, bem fundo, pois ele iria subir as escadas e passar pela minha porta a qualquer momento. Respirei mais fundo que eu pude, até levar um susto.

-Filha! – Minha mãe abre a porta, sem bater. Dei um salto na janela que caí, de joelhos.

Como não quebrei nenhum osso, reergui-me num minuto.

-Diga. – Estava voltando ao normal ainda. Ela me observou com um olhar estranho. Estranhando ainda mais a situação. Parecia que não me conhecia.

Ela entrou, fechou a porta e sentou na minha cama. Seu ar parecia de preocupação... Não sei. Olhei para o teto esperando que ela continuasse, quebrasse o silêncio.

- Bem,... Recebi uma ligação do colégio... – Ela deu uma pausa. Como sempre, parecendo normal, preocupação zero, sabe que sou ótima aluna, nunca fui para detenção, raramente me atraso.

-E aí? – Ainda esperando que ela continuasse. Uma coisa que me irrita é falar pausadamente, me deixando ansiosamente ansiosa. - Olha mãe, eu não fiz nada.

-Ah não, fez não! – Ela ri.

Olhei para ela com uma expressão “como assim?” Para quê aquele drama todo? Aquele silêncio? Olhei para outro lado do teto e pensei “será a idade?”.

Tirou logo dos meus pensamentos quando disse:

-Disseram-me que o Max passou! Que ótimo, não? – Seus olhos cor de mel estavam brilhando com seu sorriso largo.

-Ah, que ótimo. Sabia que iria passar, cara inteligente pra caramba.

-É, vê se gruda nele para virar uma nerd também. – Continuava rindo.

Ah, Allyson! Suas piadas não tem graça. E não me assusta desse jeito.

-Vou grudar sim, sem problema.

Levantou-se e retirou. Antes de fechar a porta, bradou: Terá sobremesa!

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