... ao subir as escadas para o prédio, eu o vejo sentado no topo da escada. Parei. Parei de andar ao pisar no primeiro degrau. Meu coração disparou, minhas pernas bambearam que até pensei que iria cair, mas graças a minha inteligência me segurei no corrimão mega gelado.
A luz estava fraca para a sua direção. Via perfeitamente seus dois amigos, que vira mais cedo, rindo e conversando, o que me deixou muito triste. Bom, até me deparar no seu sorriso. Algo surreal, pois só a luz só refletia lá, apenas lá, não deixando que eu visse seu rosto e o corpo, o que eu achei que estava com a mesma roupa de manhã. Será que esteve na rua esse tempo todo? E o que estava fazendo? Perguntas desse tipo vieram a minha cabeça.
Tudo bem, não sabia as respostas. Só que eu precisava seguir para casa.
Quando finalmente decidi subir mais um degrau, ele me olha. Não sei. Foi automático. Justo na hora. Será que ouviu passos? Pensou que fosse um vulto? O céu estaca escuro e as estrelas brilhavam, sentia a brisa no meu rosto. O dia terminara bem, mas terminaria bem melhor se ele estivesse sozinho... Bem, não importa.
Nesse momento, nossos olhos se encontraram. Eu não conseguia sair do primeiro degrau e do segundo. Seu olhar me paralisara de tal forma que não havia explicação. E ainda continuava sorrindo! Sorrindo pra mim. Só pra mim. Ê felicidade. Mas... Tinha que sair de lá, certo? Pois bem, acabei com essa ceninha - linda - engolindo em seco, desviando o olhar para baixo. Subi e ao passar por ele, ouço um barulho. Forever, do Papa Roach.
Era seu celular.
Caramba! Esse troço vive tocando?!
Entrei no prédio e corri para o meu quarto.
-Anne! Anne! Anne! – Senti um ser pulando na minha cama. Tentei abrir os olhos com toda claridade. – Acorda, mana! – Só podia ser.
- O que é garoto? Deixe-me em paz! – Virei de lado... pra nada. Peter me puxou de volta. Se ele puxar a minha coberta, pensei, vou dar um soco que ele vai se arrepender pelo o resto da sua vida. – Não, Peter. Quero dormir.
Mas não deu em outra. Ele realmente quis o soco. Saí da cama furiosa e numa rapidez que ele passou pela porta em disparada até a sala. – Não vai escapar de mim, moleque! – Bradei, chegando na sala até ter uma surpresinha, que eu diria muito boa, tirando o simples fato de estar de baby doll da linha Pink...
...Na frente do meu vizinho.
Tudo bem, ele estava (com bermuda e regata, uau!) apresentável. Ou melhor, bem mais apresentável que eu. Evitei o máximo que eu pude para não olhar para baixo.
Sim, não gosto de pés.
Você deve estar perguntando da minha reação, certo? Pois bem, não tive. Não consegui. Não me mexia. Parecia que havia colocado super bonder no chão ou algo assim. Minha vontade era de enfiar minha cara na privada logo.
-Peter, querido... – Tive que mudar meu excesso de fúria para meiguice. – Por que não me avisou que tinha visita? – Fuzilei-o com o olhar. Ele escondido atrás do meu vizinho, falou baixo:
-Você não me deixou falar... – Seu tom de voz era de medo. Em seguida virou para a visita – Não disse que ela era maluca?
Maluca, eu?! Imagina! Olha só, Peter já dando uma má impressão de mim? Ah, não!
-O quê? – Fiquei muito furiosa. – Mamãe ensinou que não deve sair por aí dizendo mal da sua irmã. – Minha expressão era de brava, vale lembrar.
Meu vizinho riu. E eu derreti com seu sorriso (que ponto fraco!). Pude amanhecer com seu sorriso branco e largo. Estava achando graça na situação, contudo seu riso logo cessou. Tocou-se do motivo que estava em minha casa, mas demorou encontrar palavras:
-Hum... Bem, minha mãe pediu pa-para que eu p-perguntasse se vocês têm açúcar. Er, se vocês poderiam... e depois iríamos devolve-ver.
Não sei quem estava mais constrangido com a cena. Ele é gago?
Não.
Estava nervoso. Pude perceber que seu olhar não saía dos meus olhos. Ah, é! Estava quase despida (e com cara de sono) na sua frente, nem querendo saber o estado do meu cabelo.
-Eu não sabia onde estava o açúcar, então esperamos você acordar e nada. Adam me pediu para que eu te acordasse né Adam? – Ele concordou com a cabeça ainda olhando para mim. – Fui lá mesmo sabendo que iria me dar um soco. – Sorriu.
-Que isso, Peter...
-Eu sei como é. Tenho uma irmã mais nova. – Tratou logo de dizer. Entreguei logo o saco de açúcar para ele. Aproximei com o coração pulando pra fora.
-Ah, é? Cadê ela? – Sorri olhando em seus olhos.
-Está na aula de balé, eu acho... – Coçou a cabeça.
-Puxa, quero conhecê-la!
-Não, garota não! – alertou Peter.
-Ela tem sua idade, Peter. – Adam bagunçou o cabelo do meu maninho.
-Espere. Vocês já se conhecem? – Alternei os olhos para os dois, boquiaberta.
-Tivemos tempo suficiente quando esperávamos você acordar. – Riu o Adam, concordando com a cabeça.
-É. Você demorou demais. Babou e tudo. – Depois dessa, quase dei uma voadora nele, mas como sou educada, fiquei quieta.
Disse, trincando os dentes:
-Maninho, por favor, fale somente o necessário, está bem?
Entretanto, me ignorou:
-Anne, ele joga playstation! Não é demais? Vou todo dia pra casa dele jogar XBOX, Nintendo Wii,... – Listou, pulando no sofá.
-Calma garoto! Isso se sua mãe deixar... – Após dito isto, Adam olhou para mim – Não é Anne? – Seus olhos castanhos brilhavam, sua boca mexia de forma tão... encantadora.
Que ombros largos!
Ah, sim. Respondi:
-É, é é é sim. – Gaguejei também, uhul. Porém, ele continuou a me encarar de forma comprometedora. Estava querendo ler minha mente?
Ok, viajei.
-Adam! – Chamou meu irmão. – Gostou de ver a maninha de baby doll? Se quiser eu tiro uma foto dela... – Corri pra fechar a matraca.
Vou te bater, Peter!!!!!!!!!!!