quarta-feira, 13 de julho de 2011

Capítulos sete - Olhares

Queria chegar logo em casa e enfim ter uma boa noite de sono. Até que...

... ao subir as escadas para o prédio, eu o vejo sentado no topo da escada. Parei. Parei de andar ao pisar no primeiro degrau. Meu coração disparou, minhas pernas bambearam que até pensei que iria cair, mas graças a minha inteligência me segurei no corrimão mega gelado.

A luz estava fraca para a sua direção. Via perfeitamente seus dois amigos, que vira mais cedo, rindo e conversando, o que me deixou muito triste. Bom, até me deparar no seu sorriso. Algo surreal, pois só a luz só refletia lá, apenas lá, não deixando que eu visse seu rosto e o corpo, o que eu achei que estava com a mesma roupa de manhã. Será que esteve na rua esse tempo todo? E o que estava fazendo? Perguntas desse tipo vieram a minha cabeça.

Tudo bem, não sabia as respostas. Só que eu precisava seguir para casa.

Quando finalmente decidi subir mais um degrau, ele me olha. Não sei. Foi automático. Justo na hora. Será que ouviu passos? Pensou que fosse um vulto? O céu estaca escuro e as estrelas brilhavam, sentia a brisa no meu rosto. O dia terminara bem, mas terminaria bem melhor se ele estivesse sozinho... Bem, não importa.

Nesse momento, nossos olhos se encontraram. Eu não conseguia sair do primeiro degrau e do segundo. Seu olhar me paralisara de tal forma que não havia explicação. E ainda continuava sorrindo! Sorrindo pra mim. Só pra mim. Ê felicidade. Mas... Tinha que sair de lá, certo? Pois bem, acabei com essa ceninha - linda - engolindo em seco, desviando o olhar para baixo. Subi e ao passar por ele, ouço um barulho. Forever, do Papa Roach.

Era seu celular.

Caramba! Esse troço vive tocando?!

Entrei no prédio e corri para o meu quarto.

-Anne! Anne! Anne! – Senti um ser pulando na minha cama. Tentei abrir os olhos com toda claridade. – Acorda, mana! – Só podia ser.

- O que é garoto? Deixe-me em paz! – Virei de lado... pra nada. Peter me puxou de volta. Se ele puxar a minha coberta, pensei, vou dar um soco que ele vai se arrepender pelo o resto da sua vida. – Não, Peter. Quero dormir.

Mas não deu em outra. Ele realmente quis o soco. Saí da cama furiosa e numa rapidez que ele passou pela porta em disparada até a sala. – Não vai escapar de mim, moleque! – Bradei, chegando na sala até ter uma surpresinha, que eu diria muito boa, tirando o simples fato de estar de baby doll da linha Pink...

...Na frente do meu vizinho.

Tudo bem, ele estava (com bermuda e regata, uau!) apresentável. Ou melhor, bem mais apresentável que eu. Evitei o máximo que eu pude para não olhar para baixo.

Sim, não gosto de pés.

Você deve estar perguntando da minha reação, certo? Pois bem, não tive. Não consegui. Não me mexia. Parecia que havia colocado super bonder no chão ou algo assim. Minha vontade era de enfiar minha cara na privada logo.

-Peter, querido... – Tive que mudar meu excesso de fúria para meiguice. – Por que não me avisou que tinha visita? – Fuzilei-o com o olhar. Ele escondido atrás do meu vizinho, falou baixo:

-Você não me deixou falar... – Seu tom de voz era de medo. Em seguida virou para a visita – Não disse que ela era maluca?

Maluca, eu?! Imagina! Olha só, Peter já dando uma má impressão de mim? Ah, não!

-O quê? – Fiquei muito furiosa. – Mamãe ensinou que não deve sair por aí dizendo mal da sua irmã. – Minha expressão era de brava, vale lembrar.

Meu vizinho riu. E eu derreti com seu sorriso (que ponto fraco!). Pude amanhecer com seu sorriso branco e largo. Estava achando graça na situação, contudo seu riso logo cessou. Tocou-se do motivo que estava em minha casa, mas demorou encontrar palavras:
-Hum... Bem, minha mãe pediu pa-para que eu p-perguntasse se vocês têm açúcar. Er, se vocês poderiam... e depois iríamos devolve-ver.

Não sei quem estava mais constrangido com a cena. Ele é gago?

Não.

Estava nervoso. Pude perceber que seu olhar não saía dos meus olhos. Ah, é! Estava quase despida (e com cara de sono) na sua frente, nem querendo saber o estado do meu cabelo.

-Eu não sabia onde estava o açúcar, então esperamos você acordar e nada. Adam me pediu para que eu te acordasse né Adam? – Ele concordou com a cabeça ainda olhando para mim. – Fui lá mesmo sabendo que iria me dar um soco. – Sorriu.

-Que isso, Peter...

-Eu sei como é. Tenho uma irmã mais nova. – Tratou logo de dizer. Entreguei logo o saco de açúcar para ele. Aproximei com o coração pulando pra fora.

-Ah, é? Cadê ela? – Sorri olhando em seus olhos.

-Está na aula de balé, eu acho... – Coçou a cabeça.

-Puxa, quero conhecê-la!

-Não, garota não! – alertou Peter.

-Ela tem sua idade, Peter. – Adam bagunçou o cabelo do meu maninho.

-Espere. Vocês já se conhecem? – Alternei os olhos para os dois, boquiaberta.

-Tivemos tempo suficiente quando esperávamos você acordar. – Riu o Adam, concordando com a cabeça.

-É. Você demorou demais. Babou e tudo. – Depois dessa, quase dei uma voadora nele, mas como sou educada, fiquei quieta.

Disse, trincando os dentes:

-Maninho, por favor, fale somente o necessário, está bem?

Entretanto, me ignorou:

-Anne, ele joga playstation! Não é demais? Vou todo dia pra casa dele jogar XBOX, Nintendo Wii,... – Listou, pulando no sofá.

-Calma garoto! Isso se sua mãe deixar... – Após dito isto, Adam olhou para mim – Não é Anne? – Seus olhos castanhos brilhavam, sua boca mexia de forma tão... encantadora.

Que ombros largos!

Ah, sim. Respondi:

-É, é é é sim. – Gaguejei também, uhul. Porém, ele continuou a me encarar de forma comprometedora. Estava querendo ler minha mente?

Ok, viajei.

-Adam! – Chamou meu irmão. – Gostou de ver a maninha de baby doll? Se quiser eu tiro uma foto dela... – Corri pra fechar a matraca.

Vou te bater, Peter!!!!!!!!!!!

Capítulo seis - Nostalgia

- Um ingresso para Muita... – Tento lembrar o nome que Meg disse – Muita... Caramba, qual é nome dessa porcaria de filme?! – Já estava nervosa e a mulher atrás da bilheteria estava com o processador lento, nem sabia o nome do filme, também!

-Ei, muita calma nessa hora. Tente lembrar o nome do filme. – A voz dela saiu tão automática, parecendo aquelas máquinas de Drive-thru do Mc Donald’s.

-Isso! – Dei um pulo e o pessoal atrás estava olhando pra mim. Todos ao meu redor. Mas nem liguei, apesar da moça lerda, ela me ajudou a lembrar. Eu que fui idiota de ter esquecido. Com o ingresso na mão, corri para sala.

“Agora que são elas.” – Pensei. Sala escura, não dá pra ver ninguém e nada, onde estariam as minhas amigas?

Depois de trinta segundos pisando nos pés das pessoas, pedindo licença e forçando a vista pra vê-las, descobri que estavam rindo da minha situação nada cômica. Sem contar da parte do “Sai da frente, garota!” Que povo mal educado...

Recompondo-me, respirando fundo e sentando na cadeira dobrável com o braço dobrável, Lauren comenta baixinho:

-Chegou bem, Anne? – Ela ri. Sua engraçadinha. Olhei pra minha amiga com cara feia.

-Muito bem, obrigada. – Voltei a olhar pro telão. Estava na parte onde Bruno Mazzeo estava contracenando com duas atrizes. Era comédia. Nem via graça nesses filmes nacionais, os internacionais deixam o nosso no chão.

Mas é verdade, talvez noventa por cento da população achem isso. Se bem que eu já assisti um muito bom com a Scarlett. Aquele sim foi um ótimo filme.

Tá, vou confessar que eu gostei, ri também. Em partes do filme eu mudava o meu foco, pensava o quanto aquele dia foi cheio, muito cheio. Embora eu quisesse me distrair com minhas amigas, meu corpo não deixava. Parecia que tinha feito tanto, só que nada fiz. Queria mesmo era uma boa noite de sono.

Depois de duas horinhas sentadas na cadeira confortável com o braço dobrável, o que mais queria era levantar, esticar a perna, circular meu sangue. Infelizmente eu sou assim, não agüento ficar muito tempo sentada como em pé. Fora que minha boca já estava doendo de tanto dar gargalhada.

-Então, querem ir a uma lanchonete aqui perto? – Optou Meg depois que saímos da sala, já na calçada da rua.

Concordamos em ir.

Acabamos indo a Lanchonete Frogs. Nunca ouvi falar. Meg disse que foi inaugurada há um mês, mas ainda não tinha comido lá, nem Lauren.

Até que era bem legal na parte de fora. Sua parede era azul claro, cor do mar e na entrada verde escuro. Tinha dois andares, suas janelas pareciam como de casas de praia coberta com palha ou algo parecido. Um pouco distante havia dois coqueiros. Foi o que mais achei maneiro naquele lugar. Uma lanchonete meio paradisíaca no meio de uma cidade. Sinistro.

No interior, como já devem adivinhar, era verde. Um verde bem clarinho misturado com azul, tornando verde-água. Sentia-me dentro do mar. Limpo, organizado e com um cheiro delicioso.

Tinha alguns traços como McDonald’s, mas felizmente com o cheiro diferente. Escolhemos uma mesa perto da janela. Então, pegamos o Menu.

-Vocês vão querer o quê? – Perguntou a garçonete meio ofegante. Deveria estar cansada, com sono e ter feito aquela pergunta mais de vinte vezes, pois lugar estava bem movimentado. Baixa, ruiva, com mil piercings na orelha. Foi pude perceber nela.

Vamos ver... Hambúrgueres, batatas fritas, pastéis... Nada me interessava. Definitivamente estava sem fome.

-Quero um sanduíche de peito de peru light. – Falou Meg olhando para o cardápio. – E um suco de laranja. – Sorriu ao terminar.

-Anotado! E você? – Sua direção estava pra Lau.

-Ah, vou querer uma porção de fritas com molho cheddar e uma Coca-Cola.

-Ok, e... – Não a deixei terminar. Poupei sua voz. Como sou fofa!

-Só vou querer um cafezinho. – Sorri. – Ah, com chantilly!

A garçonete se retirou com a Lau comentando:

-Você e sua cafeína. – Revirou os olhinhos. Fitei-a.

-Minha querida, pelo o que eu saiba, Coca-Cola contém cafeína também. – Há! Strike! Anne um, Lauren zero.

Mas claro, se enfezou. Só a Kim mesmo pra me acompanhar no café!

-Nos conta então, por que demorou?

-Advinham?! The Sims com o Peter. Perdi totalmente as horas. – Suspirei - Controlar vidas dá trabalho.

-Alguma coisa tinha, você não é de se atrasar. Diferente da Meg... – Seu olhar fulminante foi para a direção oposta. Nós duas, claro, rimos.

-Comigo tem que se acostumar. Até o Phillip já sabe o esquema. – Piscou os olhos verdes. Nesse momento nossos pedidos vieram. Como foi rápido.

Tomei um gole do café preto acompanhado com creme de leite batido por cima. Estava numa temperatura agradável e delicioso, apesar do clima quente. Tomei mais um gole mesmo sabendo que sentiria uma onda de calor por dentro.

E outra, eu não poderia contar a elas sobre o acontecimento breve de hoje. Pelo menos não agora. Se bem que estava louca para confabular, mas tive que me segurar, até porque é a mesma historia: você fala, já pensa no que irá acontecer, cria expectativas e por aí vai. Só esquecendo de um detalhe: a realidade.

Não, não vou criar expectativas.

Desejei tomar outra xícara, mas recusei. Já era noite e estava com sono o bastante para cair na cama. Pode acreditar, o efeito do café sobre mim é totalmente ao contrário de despertar.

-Vamos. – Olhei para o celular. - Já são 21h15min!

Pagamos e saímos da lanchonete cool recém inaugurada.

-Lembra que meu celular caiu no banheiro do shopping? Sinto tanta falta dele.

-Tirou do baú essa hein, Lau! – Apressou Meg.

-Na época que Lau fez progressiva...

-E que a Sra. Van Praag me mandou tomar conta para não coloca-lo atrás da orelha. – Riu Meg.

-Caramba! – Lauren ficou perplexa. Acho que não havia se lembrado dessa...

-Até hoje eu tenho o bilhete – Acrescentou.

Cruzamos os braços uma nas outras até separarmos dos nossos destinos.

Capítulo cinco - Corra!

Estava quase certa de que a sobremesa seria sorvete com calda de chocolate, aquela que esquenta no microondas e endurece no gelado. Minha mãe estava tão boa trazendo essas comidas calóricas. Será que ela está querendo que eu engordasse? Ultimamente vem me achando magrinha, mas sabe como é mãe. Mesmo assim, não abri mão dessa deliciosa bomba calórica.

Peter e eu passamos o resto da tarde no videogame jogando The Sims. Era o único jogo que tínhamos em comum. O resto era de lutas e armas, o que eu não gostava, aliás, detestava.

Peter é do tipo de irmão chato e legal. Servia para algumas coisas, era bom menino, fofo, e lindo! – teve a quem puxar né?! – Passamos por momentos bons e por brigas de irmãos. Era mais bonitinho quando bebê, falo mesmo.

Quando eu tinha 9 anos, assistia essas programas infantis assim que acordava, e quando Peter faz o mesmo, vem aquele momento de nostalgia.

- Anne, já são cinco horas. Não vai se arrumar para sair?

- Ééééé, eu tinha me esquecido! – Coloquei o controle do videogame no tapete e levantei.

-Yeah! Vou poder jogar sozinho. – Ele dá um sorriso enorme olhando pra mim.

-Ah, moleque! – Fulminei-o com olhar.

- Nada disso, vai trocar de roupa e tomar um banho, depois da Anne.

Nessa hora, mostrei a língua pra ele. – Ahá.

-Droga... – Disse fazendo bico.

Com o calor escaldante lá fora, liguei o chuveiro no frio. E é engraçado, você vai pro chuveiro com a finalidade de se refrescar, mas no final das contas, você fica com mais calor. Depois dos passados vinte minutos, vêm os dez minutos de indecisão feminina: a escolha da roupa.

Não, também não sou daquelas que experimenta todas as peças de roupas e no final acaba usando uma simples, mas sou daquelas que tem tanta roupa que pra escolher é difícil. Usar jeans ou malha? Short ou saia? Regata ou blusão? Meu Deus, que parte chata. Nem posso perguntar a Allyson que a resposta é automática “Você que sabe, é você quem vai vestir a roupa” Obrigada mãe, você ajuda muito, sabe? Por essa resposta, nem pergunto mais.

Faltando quinze minutos para encontrar as meninas, vesti um jeans, salto e regata.

Corro pra sala e dou um beijo na minha mãe. Em seguida peguei a bolsa, coloquei nécessaire, chaves, dinheiro e celular.

-Que horas vai voltar? – Nessa parte esqueci que ainda estava nos 17 anos. Abrindo a porta, digo:

- A sessão que devemos pegar deve ser agora, então chegarei antes das 21 horas. Está bem? – Ela concordou com a cabeça e logo fechei a porta.

Um dos motivos foi: estava atrasada e o meu celular estava tocando. Era Meg.

-Espera! Estou saindo de casa agora. – Estava na rua e chegar até lá demora uns dez minutos.

-Ande, pois a nossa vez está chegando! Já estamos na fila. Veremos Muita calma nessa hora.

-Tá, vão indo. – Desliguei.

Na próxima vou lembrar de não jogar com o Peter quando eu for sair.

Capítulo quatro - BFF's

A comida ,como sempre, estava maravilhosa! Comi tanto que capotei no sofá. Só por alguns segundos. Sabe por quê? A linda Allyson me chama para tirar a mesa. Pois é. Poderia chamar o meu irmão, mas não. Tem que ser a Anne! Ele pode correr pro videogame, mas eu não posso correr para o sofá.

Fui com “boa” vontade. Entre aspas, com boa vontade zero. Os pratos já estavam retirados, só faltava a toalha e por o vasinho de flores. SÓ isso! Ela só me chamou para isso! Inacreditável.

Quando coloquei o vaso sobre a mesa, minha mãe diz:

-Anne... – Mas na mesma hora o telefone toca. E claro, atendi correndo. Pois sabia que era a Meg.

-Amiga! – Ela diz.

-Oi, fala.

-Está a fim de sair esta noite? Poxa, hoje é sexta! – Afirmou animadona. Aquela guria ama a rua.

-Está bem... Mas onde? – Uma interrogação imensa estava na minha cabeça.

-Pensei de irmos ao Cinema. Sei lá, ver algum filme juntas. Já chamei a Lauren e ela topou.

Já que não iria fazer nada, aceitei.

-E sabe quais filmes estão passando? – Internet pra quê, né?!

-Olha, não sei. Na hora, a gente ver isso.

Beleza! Sairei de casa esta noite. Preciso esquecer aquele menino –lindo- da minha cabeça. Só podia ser excesso de carência.

Desliguei o telefone e fui direto para o quarto. Abri a janela, sentei sobre ela e fiquei admirando... a rua. Pois é. Lembrei dos momentos em que saí com as meninas, quando tínhamos 15 anos. Íamos a aniversários, baladas que só serviam refrigerantes, shoppings e dormíamos uma na casa da outra. Conheci Meg desde o Ensino Fundamental I, e nossa amizade de lá pra cá só vinha crescendo. Ela viu o meu primeiro beijo, conheceu o meu primeiro amor (amor de criancinha, sabe?), meu segundo amor... E outras coisas. Sempre me ajudou, era a mais realista da dupla. Dois anos depois entrou a Lauren. Quietinha, tímida, super na dela, tão fofa, tão calada. Claro que chegamos nela, pois parecia bastante conosco. Com o tempo, foi se soltando, formando O Trio. Com letra maiúscula fica mais chique, tá?

Ah, foram ótimos momentos. E ainda me divirto com elas. Mas, a Meg tratou de ficar um ano a menos no colégio. Então, entrou a Kim. A invejo de ser oriental. Na verdade, descendente. Seu pai é japonês, nascido lá, e sua mãe é brasileira. Engraçadíssima, teima em tentar falar em inglês, aí já sabe, embola com as palavras. Se bobear, é pior que uma nordestina tentar falar a língua inglesa.

Acredite... Kim é assim. Sem contar, que é muito engraçada. Disse que um dia me levaria para o Japão, e isso foi quando? Cinco anos atrás.

Depois de ter pensado nisso, eu desviei o olhar para a rua, pois estava olhando o céu. - Já falei que amo o céu? – Meu coração disparou, meus olhos arregalaram e só faltava, bem pouquinho, cair da janela para dentro do quarto. Por sorte, estava me segurando, e também uma coisa não deixava.

Ok, ok, ok. Sem mais delongas, era ele, o vizinho novo. Estava vindo pela rua, e como minha casa fica bem no finalzinho, dá muito bem para vê-lo chegando. Reparei que anda com estilo, com as mãos no bolso, postura reta. Gostei, mesmo.

Sem contar do cabelo, né. Deve passar horas e horas só arrumando. Não sai do lugar, nem quando anda! Enfim, acompanhei com os olhos até entrar ao prédio. Respirei fundo, bem fundo, pois ele iria subir as escadas e passar pela minha porta a qualquer momento. Respirei mais fundo que eu pude, até levar um susto.

-Filha! – Minha mãe abre a porta, sem bater. Dei um salto na janela que caí, de joelhos.

Como não quebrei nenhum osso, reergui-me num minuto.

-Diga. – Estava voltando ao normal ainda. Ela me observou com um olhar estranho. Estranhando ainda mais a situação. Parecia que não me conhecia.

Ela entrou, fechou a porta e sentou na minha cama. Seu ar parecia de preocupação... Não sei. Olhei para o teto esperando que ela continuasse, quebrasse o silêncio.

- Bem,... Recebi uma ligação do colégio... – Ela deu uma pausa. Como sempre, parecendo normal, preocupação zero, sabe que sou ótima aluna, nunca fui para detenção, raramente me atraso.

-E aí? – Ainda esperando que ela continuasse. Uma coisa que me irrita é falar pausadamente, me deixando ansiosamente ansiosa. - Olha mãe, eu não fiz nada.

-Ah não, fez não! – Ela ri.

Olhei para ela com uma expressão “como assim?” Para quê aquele drama todo? Aquele silêncio? Olhei para outro lado do teto e pensei “será a idade?”.

Tirou logo dos meus pensamentos quando disse:

-Disseram-me que o Max passou! Que ótimo, não? – Seus olhos cor de mel estavam brilhando com seu sorriso largo.

-Ah, que ótimo. Sabia que iria passar, cara inteligente pra caramba.

-É, vê se gruda nele para virar uma nerd também. – Continuava rindo.

Ah, Allyson! Suas piadas não tem graça. E não me assusta desse jeito.

-Vou grudar sim, sem problema.

Levantou-se e retirou. Antes de fechar a porta, bradou: Terá sobremesa!

Capítulo três - Curta

Quando o macarrão já estava feito, e a salsicha no molho borbulhando, ela infelizmente lembrou o porquê de eu estar feliz e fez questão de perguntar de novo. Concentrava-me nas panelas com os dedos cruzados, mas por fim, não deu certo.

Eu tinha que achar alguma coisa, uma coisa que ocorreu no colégio, alguma notícia, para não dizer aquele acontecimento bobo. Tudo menos aquele mico.

-Eu... – Nada saía da minha cabeça. Nessas horas tinha criatividade zero. Vi de relance a ansiedade de saber apesar de estar concentrada na comida.

-Sim? – Disse provando o molho... quente.

-Bom, é meu penúltimo ano na escola. E daqui a uns meses irei fazer 18. Sabe, maioridade.

Ela riu. Riu muito. Gargalhou ao extremo. Percebendo assim, aquilo não foi convincente na resposta para a pergunta. Não tinha definitivamente nada a ver com minha felicidade. E daí que iria fazer 18?! Continuaria aqui. Em casa, no meu quarto, estudando para o vestibular. Claro que poderia sair para baladas, boates, festas e gêneros. Mas eu não era disso e Allyson sabia muito bem.

-Ah, mãe. Qual foi?! Precisa rir tanto assim?! E nem é engraçado.

-Desculpe filha. Mas sabe, é melhor ficar mesmo feliz quando completar 21 anos. É uma diferença enorme dos 18 para os 21. Acredite. – Nessa hora o molho tinha acabado de ficar pronto. O cheirinho era tão bom...

Fiquei pensativa, até. Acho que ela tinha razão. Você estaria começando faculdade. Um outro mundo, uma outra visão, um outro conhecimento. Tentei fazer com que ela entendesse minha “alegria”.

-Mas mãe, é uma excitação vendo assim. Muitas pessoas almejam chegar logos aos 18. Tirar carteira, sair, trabalhar para comprar as suas coisas... – Ela me interrompe:

-E você sabe que não precisa ansiar por isso. Não quero que trabalhe cedo, quero que estude. Não estou pagando colégio para trabalhar. Já conversamos sobre isso, Anne. – Sua voz era tão suave e calma, como sempre. – Curta cada momento antes dos 18. Porque depois vai querer voltar e continuar nos 18. – Disse rindo.

Sim, ela estava totalmente certa. Não tinha o que revidar ou falar algo contra. Ela passou por isso, sabe como é. E eu apenas estava de ouvidos abertos para o que ela tinha a dizer. E claro, obedecer.

Começamos a arrumar a mesa. Coloquei a toalha, pratos e talheres enquanto ela ia misturando o macarrão com a salsicha num recipiente. Já dava para sentir o cheiro de longe. Peter também tinha um ótimo faro: largou o videogame para sentar-se a mesa, colocando o guardanapo na gola da camisa. Bem, é educado, ou parece, mas não se coloca guardanapo na camisa. Já estava lambendo os beiços com cara de que ia devorar tudo. Digo tudo mesmo. Aí teria que sobrar o miojo de galinha... Pode parecer engraçado, mas isso já aconteceu. Peguei o refrigerante, mas não gostei do que vi.

-Mããe, comprou Coca-cola? – Falei gemendo que nem uma criancinha emburrada.

-Seu irmão que quis! – Disse já se sentando a mesa.

-Ahhh, você sabe que eu não gosto! – Faço bico.

-Então vai à rua comprar um refrigerante pra você. – E já estava dando uma garfada.

Não acreditava que teria que trocar meu pijama pra sair na esquina e comprar uma latinha. Isso não é justo! Mas acabei não indo. Minha fome era grande que não conseguiria andar.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Capítulo dois - Destino

Num relance, já estava na minha janela vendo-o passar com dois amigos na rua. O celular já havia desligado.

Diva mal sabia que tinha me feito pagar um mico daqueles! Mas em compensação vi o vizinho novo e gatinho pela primeira vez. Como eu não vi a mudança? Bem, deixa para lá. De tão feliz que estava (apesar de ter pago

um mico) coloquei musica para ouvir. Pulei, cantei, dancei. Zero preocupada com os velhinhos do prédio.

Fiz isso por 15 minutos até que a cachorrinha Yorkshire Diva começou a chorar. Ah, é! Tinha me esquecido de dar ração a ela.

Mas ele era lindo demais. A sua imagem não saía da minha cabeça e aquela expressão de quando me viu. Foi uma vergonha, admito, mas gostei de tê-lo visto. Provavelmente, não, noventa e nove por cento de chance dele não chegar e falar comigo. Deve ter me achado maluca que tenta escutar conversas dos outros, que anda sem menor problema com pijama pelo prédio, ou uma retardada mental. Pensando assim, fico com as três opções.

O que já causou má impressão sobre mim.

Após a Diva chorar por fome e posto ração, aguardei a chegada da minha mãe e Peter. Eu seria encarregada a guardar as compras no lugar e os mil pacotes de biscoito do meu irmão.

-Cheguei Anne! – Ela grita ao abrir a porta. Não precisava ter gritado, estava bem no sofá, deitada, quase em frente à porta. Mas minha felicidade era tão grande (por causa daquele mico) que eu deixei pra lá, levantei do sofá peguei algumas sacolas e beijei o rosto do meu irmão.

-Que nojo irmã! – Ele reclama fazendo cara feia e sai correndo para o quarto.

-Você sabe que ele não gosta quando o beija! Por que fez isso, Anne? – Ela arqueou as sobrancelhas.

-Ah, nada... Só estou feliz. – Digo tirando os congelados da sacola e colocando na geladeira, esperando que ela não queira estender aquela conversa, saber o porquê de eu estar assim. E contando aquela história com meu irmão por perto não seria nada bom. Ela se calou um pouco e foi para o quarto trocar de roupa.

Peter já estava ligando seu vídeo-game na televisão. Um viciado total. E já estava acabando com a montanha de compras.

-O que vai querer almoçar, minha filha?

-Eu não sei, mãe... Você quem sabe. – Sorri.

-Como está calor, vou fazer macarrão com frango. Nada de feijão, né?

Peter ouviu a metros de distância. – Faz com salsicha! – Ele grita. Ela olhou pra mim rodando os olhos, até que enfim fala:

-Ajuda-me? – O modo em que falou parecia o gatinho do Shrerk. Claro, o segundo filme. Falando nisso, o terceiro é o melhor da trilogia.

Tudo bem, estava sem saída, até porque eu não poderia deixá-la na mão. E quando era pequena, disse que queria ser uma cozinheira de primeira como ela. Então, o que me restava era aprender. Ah, fazer macarrão e salsicha era fácil. Sem problemas até então.

Capítulo um - Surpresa!

Odeio quando minha mãe me deixa sozinha em casa. Eu simplesmente odeio. Tudo bem, você tem a casa só para você, podendo fazer a festa, chamar seus amigos, enfim, bagunçar. Mas ter que fazer tudo é demais: atender telefone, a porta, o vizinho... Céus! Ok, vamos dizer que sou uma sedentária ambulante. Deve ser legal morar só, mas quando se tem disposição, o que não é o meu caso.

Lá pelas três da tarde, minha mãe e meu irmão saíram para fazer as compras da semana, claro, sem eu saber. Quando levantei da cama vi um bilhete na geladeira. Uau, minha mãe não se esqueceu de mim, pelo menos é o que parecia. “Anne, tem louça para lavar, lixo para jogar fora e ração para dar a Diva. Logo estarei de volta, beijos mamacita”. Que tarde tão perfeita.

Fiz um rabo de cavalo e comecei lavando a louça. Meu irmão parece duas pessoas comendo por causa da quantidade de pratos sujos... Enfim, isso não vem ao caso. A pior parte de mexer em água, esponja e sabão é que acaba com as minhas unhas, total. Com o castigo do rei do terror, eu tive que arruinar depois de dois dias feitos no salão. Sem contar do cheiro de detergente que fica na mão.

Feito isso, fui jogar o lixo fora: dois sacos pretos enormes e pesados. Quando abro a porta, a minha cachorra Diva sai logo correndo para o corredor fazendo a festa lá. A lixeira fica logo no primeiro andar, no meu andar, mas a sapeca corre para o segundo. Ela raramente faz isso, estranhei, mas deve ter algo que a atraiu.

Sabe como é, cachorro tem ótimo faro.

Ao lado da porta de casa ficam logo as escadas, subi voando para pega-la até que a encontro na fresta de uma porta. A porta do vizinho novo.

Vizinho novo. Esse nome não soa bem. Pode ser uma velha horripilante que mora com um gato preto, ou um senhor de meia idade, sem dentes e pedófilo, ou uma família feliz típica daquelas com dois filhos e um cachorro. Tipo o meu. Tá, viajei legal, mas tinha que tirá-la de lá. Como? Pedir desculpas pra vizinha pelo fato da minha cadelinha querer entrar por causa do cheiro de comida? Não, definitivamente não. Até que o cheiro estava bom, a pessoa que

devia estar cozinhando é ótima. Por um momento fiquei com vontade de entrar. Não, assim estaria pior que a Diva, e isso é muito ruim. O único jeito era pega-la e sair correndo, acabar logo com essa história.

Uni toda a minha energia e coragem para ir até lá. Cheguei à porta bem devagar para não fazer barulho e o vizinho novo, seja lá quem for, não me ver.

Acredita em destino? Não? Pois bem, com o que contarei agora, você passará a acreditar. Eu mesmo achava uma mera bobagem, apesar de acreditar em contos de fadas. O que direi foi real, bem real.

Assim que abaixei para pega-la, escutei um barulho. Provavelmente de uma pessoa falando, mas a sua voz era do sexo masculino, uma voz tão calma e sexy. É, s-e-x-y. Com todas as letras. Só que ao invés de fugir, eu fiquei lá. Tão hipnotizada por sua voz e querendo saber do que falava. Agarrei a Diva que estava farejando o tapete até que a porta se abriu...

Levantei o meu olhar: passando pelo seu All Star preto surrado, calças escuras com bolsos, moletom preto com capuz, cabelos pretos, alto e magro. Com guitarra nas costas e um celular na mão. Olhando em seus olhos concluí rápido que ele era o que tinha a voz sexy demais. Assim que abriu a porta logo olhou em baixo erguendo as sobrancelhas escuras, com certeza pensando “O que esta maluca de pijama está fazendo agachada em minha porta?”. Fechou a porta em seguida, passou por mim e voltou a falar no celular. Virei para vê-lo de novo, mas desceu as escadas rapidamente.

Back!!!!!!!!!!!!!!!

Olá, pessoas!
Voltei com o Blog. Queria fazer outro, mas tinha que fazer outro e-mail, e estou sem saco.
Bom, voltei porque aqui quero divulgar (e compartilhar!) meu romance teen que quero, futuramente, enviar às editoras :)
Por isso, quero que leem, deem suas opiniões. Aceito críticas :)

Boa leitura.

xoxo

K.