quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Capitulo oito - Dificil.

Nada como ir ao Shopping com o meu pai.

Ele sempre marca um programa bem bacana para um fim de semana. Como o da última vez, fomos a um parque brincar de tobogã, que, aliás, o Peter não parou de falar desse dia após uma semana.

Separou-se da mamãe quando eu tinha 15 anos. Parecia que o amor dos dois havia acabado e o pior de tudo, eu havia presenciado a crise do casamento.

Pensamos que seria uma barra para o Peter, mas felizmente aceitou numa boa, embora não saber de muita coisa, pois não entenderia. E também não tem sente falta de uma figura paterna. Sempre que papai pode, a gente sai junto.

Só que o Peter ainda não sabe da nova namorada do papai. Ele não sabe como contar pro maninho. Tem medo de sua reação. E o pior de tudo, o namoro do papai com a sua namorada já tem um ano.

Peter acha que Margareth é apenas uma colega de trabalho. Nem desconfia. Aquela perua que me leva as melhores lojas.

-Mas pai... Uma hora você terá que contar, não acha? – Perguntei a ele no restaurante australiano que havia me levado após termos ido ao Zôo, que por sinal era muito bom.

-E se ele não aceitar meu namoro com Margareth? Não é melhor esperarmos?

O Shopping Center estava lotado, pois era domingo.

Domingo de liquidação.

Então, o bairro inteiro vem para o mesmo local, para o mesmo propósito: comprar. Menos eu: para sair apenas passar um final de semana com o meu papai. Peter não viera conosco porque foi à casa de seu amiguinho Adam jogar Ragnarok ou Street Fighter. Bem, tanto faz.

Após uma boa andança pelos pisos e um lanche no Bob's, fomos a minha loja preferida, Coliseum, por causa da insistência dele. O que bem estranhei.

- O que acha desse vestido, filha? – Perguntou, apontando para um de seda azul com caimentos e um laço abaixo do busto, seu tamanho era acima do joelho.

-Lindo! – Voltei a olhar para o vestido, pois azul era uma das minhas cores preferidas. Próprio para um casamento ou uma festa social... Opa! – Por que a pergunta? – Virei os olhos para a sua direção.

Segundos depois meu pai deu um longo suspiro e disse:

-Eu e Margareth... – Demorou para que as palavras saíssem de sua boca. – Vamos nos casar.

-Como é que é? – Fiquei boquiaberta. – Acho que não ouvi direito. - Sua expressão era triste. Talvez pensando na burrada que acabara de fazer.

-É isso mesmo. – Olhou pra mim com os olhos caídos. – Estamos de casamento marcado.

-Não, papai! Você não pode casar com ela! – Tive um treco.

-Mas você não gosta da Margareth, filha? Tentou abrir um sorriso, que não transparecia em seu coração. – Vocês se dão muito bem. Ela é uma boa mulher, você sabe. - Manteve o tom de voz, baixo.

Nessa hora já estava metros de distância. Eu, Annette, é que já estava berrando.

Aquilo não podia ser real. Meu pai casando-se outra vez. Mas não com a minha mãe, e sim, com sua colega de trabalho. Ou melhor, dizendo, sua namorada.

Tem que ver isso aí, pensei indignada, andando o mais depressa até a porta principal, porém, meu pai me alcança, pegando em meu ombro.

-Filha, tente entender... – Suplicou. Parecia um cão sem dono. Só que pelo o visto, iria ter uma dona, com dia marcado.

-Entender o quê, papai? Que você não vai mais voltar com a mamãe? Que eu e o Peter vamos ter uma madrasta? Ah, é! O Peter! Ele vai gostar disso? Eu vou? – Minhas lágrimas já percorriam pelo o meu rosto.

Aquele sábado havia sido o pior de todos. Definitivamente.

Papai não deixou que eu pagasse um táxi na calçado do Shopping. Então, me levou para a casa com seu carro, com o perfume de Margareth no ar.

E o silêncio reinou até eu abrir a porta e bater. Estava na cara que não queria papo, e nem estar naquele casório.

É, fui muito mal criada.

-Filha! – Ele me chamou. Virei sem querer virar. – Nossa conversa ainda não acabou ok? Eu amo você. – E seguiu com o carro.

E eu queria terminar aquela conversa?

Subi as escadas batendo o pé, enfurecida, bufando, com fumaças saindo dos ouvidos. Quando cheguei à porta de casa, logo veio em pensamento “preciso contar para o Peter”, me afastei indo em direção às escadas, subindo mais um lance até chegar à casa do Adam.

Casa do Adam. Meu coração começou a acelerar.

Respirei fundo e toquei a companhia.

A porta de madeira branca com o número 202 foi logo aberta por uma mulher com cabelos castanhos escuros, com avental de cupcakes e uma toalha, com o qual enxugava as mãos. Mais ou menos da minha altura.

-Olá – Esbanjou um sorriso ao me ver. Seu sorriso era largo que nem a do filho.

Demorei um pouco para encontrar as palavras, porque ela fez com que minha raiva tivesse cessado na hora, embora estivesse enfurecida por dentro. Doida para compartilhar com o meu maninho a decisão mais horrível que papai fez.

Só que... Eu pude passar com os olhos para a sala, onde os vi sentados, jogando um game que não reconheci e se divertindo com palavras sendo ditas pelo o Peter:

-Vai! Chuta! Ataca!

O meu desejo parou na hora. O que eu iria dizer poderia acabar com a sua diversão, com o seu momento de criança. Por conta disso tirei a conclusão de que não iria contar a ele. Pelo menos não agora.

-É... Eu só queria buscar o meu irmão... – Apontei em direção a sala, apoiando em seguida a minha mão no meu braço aposto, querendo me encolher toda. - Mas acho que não vou ­interromper... – Tentei sorrir, apesar de me sentir constrangida.

-Ah, você é a irmã do Peter? – Perguntou toda simpática. Apenas fiz que sim com a cabeça. E continuou: – Ele é um fofo! Adam realmente gosta dele. E acredito que o Peter também. – Sorriu com os olhos castanhos (da cor do cabelo!) brilhando. – Prazer, sou a mãe do Adam, Melissa Harris. Ah, claro. Não dá trabalho nenhum.

Uau!

Ele leu meu pensamento.

Inacreditável.

-Vocês são bem parecidos. Desconfiei que fossem parentes. – Dito isto, bateu a mão na testa. – Ah, quer entrar? Jogar com eles? – Esbanjou outro sorriso mega simpático.

Recusei.

Ainda não conseguia engolir o que estava gritando dentro de mim. E realmente não sabia o que fazer. Será que mamãe já sabia? Pensando assim, realmente fui imatura com meu pai. Ele não merecia essa reação e sim compreensão. Mas por outro lado... E a mamãe?

Já descendo as escadas, ouço alguém me chamar.

Reconheço a voz grave e sexy.

Adam.

Parei nos degraus, quase no fim do lance. Virei com o coração disparado. Aquele garoto me fazia sentir assim, e com calor.

Ele desceu as escadas também, parando a uns quatro degraus acima de mim. –Anne! Aconteceu alguma coisa? – Já olhava em meus olhos daquela forma, me deixando corada.

-Hum... Não. – Fiz que não com a cabeça. – Está tudo bem. – Sorri sem mostrar os dentes. Tentei desviar os olhos de seus braços a mostra por conta da regata preta, são tão...

-O Peter tem que voltar pra casa? Você não quer jogar também? Peter disse que você joga alguns. – Sorriu, mas logo parou porque minha expressão não estava muito boa. Espera! Então quer dizer que falavam de mim?

Ele por fim desceu mais dois degraus, ficando mais próximo, me deixando tensa com sua presença, com calor (sim!) e taquicardia.

-Está tudo bem? – Inclinou um pouco a cabeça, com olhar de preocupação.

-Sim, tudo bem Adam. – Olhei meio de lado, a resposta não havia sido muito convincente. Até eu achei. Ele arqueou as sobrancelhas escuras. – É sério. Obrigada, não... – Fui interrompida pelo o barulho da minha porta.

-Oi mãe. – Desci as escadas para me aproximar dela.

-Olá filha! – Ficou surpresa ao me vê. – Já chegou? – Perguntou fechando a porta.

-Sim... Vai sair? – E não me disse?

-Vou sair com a Rose. Vamos jantar naquele restaurante novo da esquina. – Dito isto, olhou para o Adam, esperando uma apresentação.

-Mãe, este é o Adam. O vizinho de cima.

Mamãe abriu um sorrisão. Quando virei para o Adam fiquei surpresa de já vê-lo ao meu lado.

Acenou, sorrindo para a mamãe. Ela, por fim, estendeu os braços para cumprimentá-lo, dizendo:

-Allyson Smith.

-Bonito nome, Sra. Smith. – Ainda mostrava os seus dentes esbranquiçados.

-Obrigada. - E continuou. - Ah, você é o rapaz que o Peter falou. - Reconheceu-o.

-Sou eu mesmo. – Cruzou os braços, rente ao peito. Claro, evitei olhar para os braços de novo... – Eu também tenho uma irmãzinha da idade dele. – Soltou um riso.

-Que bacana! – Alyson olhou para o relógio. O relógio que o papai dera a ela. O que eu logo me lembrei da tarde, do casamento. – Bom, deixa eu ir lá. – Olhou para mim em seguida – Depois me conta como foi com o seu pai. – Será que vou precisar contar sobre ele e a perua? Chegando no portão, virou e mandou beijo. – Cuide-se filhinha!

Suspirei. Bem... Novamente sozinha com ele. Arrepiei-me só de lembrar isto.

Ficamos uns cinco segundos nos olhando até o meu irmão gritar.

-Adam!!!!!! Vamos acabar o jogo!

Rimos no mesmo instante.

-Então, topa jogar também? Ou vai preferir ficar em casa... –Aproximou, olhando em meus olhos. – Sozinha? – Acredito que estava prevendo um sim.

Nervosa do que jeito que estava, apenas disse:

-É uma boa.

Subimos as escadas.